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segunda-feira, 23 de abril de 2012

As cores nos filmes

Como já referido em posts anteriores, todas as cores têm um papel importante no nosso dia-a-dia, elas fazem parte do nosso quotidiano mesmo quando não damos pela sua existência. As cores representam emoções, sentimentos e estados de espírito. Não é por acaso que num dia mais cinzento e chuvoso nos sentimos mais cansados e deprimidos, enquanto num dia de verão ensolarado parecemos mais alegres e tudo parece correr melhor.

Nos filmes também existem as percepções de cor e luminosidade, como por exemplo na curta-metragem animada vencedora do festival de Cannes, "The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore".
 
Como podemos ver, não há qualquer fala na curta, mas mesmo assim tem uma forte carga emocional transmitida através da música de fundo e das cores. Ora, a relação das cores com o estado emocional das personagens é clara e extremamente importante para a percepção da mensagem. Neste caso, podemos dividir a história em "dois mundos": um triste, sombrio e deprimente, um mundo sem livros, onde não há alegria, onde a vida não ganha cor (metafórica e literalmente) e um mundo colorido, de sonhos e alegrias, um mundo cheio de livros, onde a imaginação pode "voar" e que cores são fortes e alegres. Um bom exemplo disso é a antítese da tempestade incolor no mundo sem livros, em contraste com os dias ensolarados e luminosos no outro mundo. 

Uma das cenas que realça melhor a importância das cores, na nossa opinião, é quando as pessoas, em preto e branco, recebem os livros e adquirem uma nova cor, demonstrando que os livros transformam as pessoas de uma forma metafórica na vida real, e literalmente representada na animação. Estes abrem-nos novos horizontes e mundos completamente novos, abrem-nos várias portas e transformam as nossas vidas,  criando uma nova realidade onde tudo é possível e onde tudo é colorido.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Preto & branco

"Para a maioria das pessoas, a cor preta, acromática, tem uma tentação especial. Preto-e-branco pode dar um aspecto de documentário que nos faz acreditar em algo na imagem. Da mesma maneira, uma fotografia em preto-e-branco nos leva a um mundo sugestivo, transformando-nos em participantes de uma sequência fílmica" (Bergstrom, 2009:200). 

E o leitor, o que acha? 

Referência bibliográfica:
Bergstrom, Bo. Fundamentos da comunicação visual, São Paulo: Edições Rosari, 2009. 

Como vemos as cores?

A percepção das cores é importante desde as primeiras pinturas nas cavernas. No entanto, esta é condicionada pela presença ou ausência de luz: sem iluminação suficiente, os objectos afiguram-se-nos escuros e desvalorizados; e se iluminados pela luz solar ou artificial, alguns raios de luz são absorvidos e outros reflectidos. O sistema nervoso humano possui a capacidade de reagir a diferentes comprimentos de onda de radiação electromagnética, logo, os olhos captam as impressões visuais dos raios reflectidos e conduzem-nas até ao cérebro que, por sua vez, as converte em cor. 

Para diversos grupos de profissionais (designer, estilista, artista têxtil, etc.) as cores são um elemento indispensável. Estas encontram-se congregadas num sistema de descrição comum - Natural Color System (NCS) - assente no uso da cor no ambiente e na forma como os seres humanos percepcionam a cor. Assim, as cores elementares da nossa visão são amarelo (Y), vermelho (R), azul (B) e verde (G) - cores cromáticas; e preto (S) e branco (W) - cores acromáticas (sem nenhum matiz). O NCS faz notações de cores consoante o grau de semelhança de uma cor específica com essas seis cores elementares. 

Já o Espaço de Cores NCS, modelo tridimensional com um eixo que vai do branco ao preto e as cores cromáticas localizadas nos quatro pontos equidistantes da circunferência (Fig. 1), possibilita a representação de todas as cores imagináveis com uma notação NCS própria. Este modelo subdivide-se em dois modelos bidimensionais: Círculo Cromático NCS (Fig. 2) e Triângulo Cromático NCS (Fig. 3).
Fig. 1 - Espaço de Cores NCS

Fig. 2 - Círculo Cromático NCS
Fig. 3 - Triângulo Cromático NCS
O Círculo Cromático NCS apresenta quatro espaços de cores cromáticas elementares divididos em cem graduações iguais. As cores do lado esquerdo do círculo correspondem às cores frias e as do lado direito às cores quentes. Assim, entre o amarelo e o vermelho temos o laranja; entre o vermelho e o azul estão as cores púrpuras; entre o azul e o verde há uma série de tons azul-esverdeados; e entre o verde e o amarelo estão os tons amarelo-esverdeados. 

Por sua vez, o Triângulo Cromático NCS - secção vertical do modelo NCS numa das graduações de 10% - mostra uma tonalidade específica a partir da qual é possível determinar a relação da cor com o branco, o preto e a cor cromática integral. Quanto mais alto o posicionamento da cor no triângulo, mais clara ela é, e vice-versa. Já as cores laterais são mais cromáticas. 

Tanto o Espaço de Cores NCS, como os seus modelos bidimensionais, são instrumentos úteis na decisão de qual cor usar. 

Bibliografia:
Bergstrom, Bo. Fundamentos da comunicação visual, São Paulo: Edições Rosari, 2009. 

A temperatura e a saturação das cores

A "temperatura" das cores é uma noção metafórica, mas, paradoxalmente, bastante real. Existem cores que parecem mais calorosas e "quentes", outras mais distantes e "frias", e essa noção realmente existe. O psicólogo alemão Wundt estabeleceu a divisão fundamental da "temperatura" das cores, explícita na imagem abaixo:


Como podemos ver, as cores mais "quentes" aproximam-se do vermelho, enquanto as mais "frias" se aproximam do azul. Mas isto não é inventado ao acaso - podemos compreender a psicologia cromática com os próprios elementos da natureza. Por exemplo: o vermelho é visto como uma cor mais "quente" por ser logo associada ao fogo, enquanto o azul, por estar relacionado com o "gelo", é visto como uma cor mais "fria".


Para além das componentes físicas, o próprio vermelho parece saltar ao olho, parece nos aquecer, enquanto o azul aparenta ser uma cor mais pacata, menos destacada, como podemos ver na imagem supracitada. Passamos, assim, para a saturação das cores. As cores que parecem ser mais fortes, ter mais intensidade e luminosidade são, normalmente, mais "puras", ou seja, fiéis ao seu formato original e sem grandes mudanças, enquanto cores mais "sujas" são, normalmente, menos brilhantes. Quanto mais "quente" e quanto maior for a saturação de uma cor, mais parece que esta avança e salta para o olho. Cores como o vermelho e o laranja avançam mais do que, por exemplo, o azul e o verde.



Na imagem acima podemos ver as relações entre cores "quentes" e "frias" e até mesmo a sua própria saturação. É de salientar que na imagem de contraste, as cores mais "quentes" parecem avançar, enquanto as mais "frias" dão a sensação de estar em segundo plano, ou recuadas. É a isto que se chama a "temperatura" e a saturação das cores.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

As cores do espectro

Nós vivemos num mundo de cores: algumas transmitem-nos felicidade; outras tristeza; algumas que apaziguam a nossa alma; outras que nos deixam com raiva; algumas que nos fazem sonhar; outras que só nos fazem lembrar do que perdemos. As cores têm um papel ativo na nossa vida, mas por serem tão presentes, acabamos por nos esquecer da sua existência e do quanto são importantes para a nós.

O mais interessante é que, apesar de terem um papel ativo nas nossas vidas, as cores não existem, ou melhor, não existem da forma como nós achamos que elas existem. De uma forma bem resumida, Isaac Newton descobriu, através de vários experimentos, a dispersão da luz branca, ou seja, percebeu que esta, ao incidir sobre um prisma de vidro totalmente polido, dava origem a inúmeras outras cores, cuja ilustração foi bem desenvolvida no álbum dos Pink Floyd The Other Side of the Moon.


Através desta descoberta, verificou-se que cada cor tem uma "frequência", e o que define a cor de um objeto é se este absorve ou não a "frequência" da mesma. Por exemplo: uma rosa vermelha é vermelha porque reflete todas as outras cores, com excepção do vermelho; o branco é branco porque reflete todas as cores e o preto é exatamente o contrário, não reflete nenhuma cor.


Mas não é por um objeto não ter uma "cor verdadeira" (sendo esta apenas o reflexo da luz) que estas não vão influenciar as nossas vidas. As cores provêm todas do mesmo espectro, mas cada uma tem a sua peculiaridade.

Desde os primórdios da humanidade, o vermelho tem sido visto como a cor "mais quente", a cor do fogo, da paixão, da energia e do amor, mas ao mesmo tempo do perigo, da raiva, do sangue e até mesmo do diabo. Todas estas definições do vermelho foram se construindo ao longo da história e se mantiveram até hoje. 


O laranja está relacionado com a energia, a criatividade, o movimento, a juventude e o Outono, mas também com o estado crítico, o perigo iminente e a bruxaria. Em muitos países é relacionado também com a realeza, com o nobre e com o poder.


Continuando a escala, o amarelo é a cor do ouro, do sol, da sabedoria, do brilho e da alegria. É, em geral, vista como uma cor muito alegre e viva, ao ponto de chegar a ser muito forte para o próprio olho. O amarelo também é visto como a inveja, a fraude e a cautela, é sobretudo um sinal de aviso.


Logo de seguida temos o verde, a cor da primavera, da esperança, do dinheiro e da tranquilidade. De facto, esta cor, complementar da vermelha, dá-nos uma sensação de calma, natureza e serenidade. Por isso, esta cor é utilizada nos hospitais, para acalmar os pacientes e deixá-los mais tranquilos. Quanto ao lado negativo, o verde é muito ligado ao veneno, à náusea, à avareza e à ganância. De facto, o verde é normalmente utilizado para mostrar os lados negativos do dinheiro e do capitalismo que corrompem povos inteiros em busca de poder.



Agora temos o ciano, uma cor que representa a tranquilidade, o ambiente sereno e apaziguador. É uma cor fresca que nos faz lembrar o céu limpo ou um mar de água cristalina. Esta destina-se também às crianças, por transmitir esta leveza rústica, natural e sem ligações urbanas.


O azul relaciona-se muito com os elementos naturais, é a cor da água, a cor do céu, mas também da paz, da lealdade e da justiça. Paradoxalmente, é fria, distante e depressiva.


E finalmente o violeta, a última cor do espectro visível, é a cor da sabedoria, da nobreza, do místico e do metafísico. Em contraste, é também associada ao excesso, à loucura, ao pânico, à falta de ar e ao desespero. 

 

O intuito desta pequena referência às cores não foi descrevê-las de forma assertiva e dogmática, pelo contrário, foi apenas uma referência às suas propriedades e valores que foram sendo desenvolvidos ao longo da história da humanidade, com o intuito de dar a conhecer, mesmo de forma muito superficial, o que cada uma delas representa a nível global. Terminamos, assim, esta pequena análise com todas as cores do espectro reunidas numa figura conhecida por todos nós - o arco-íris.