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sexta-feira, 30 de março de 2012

Proposta de trabalho 1 - Parte II

A imagem do cadeado foi a única utilizada na nossa composição visual por se adaptar melhor ao tema em termos de comunicação visual e de simbologia.
Comecemos, portanto, com a análise meramente física: esta imagem apresenta uma clara assimetria dos traços e uma irregularidade no padrão, o que dá um certo dinamismo à mesma. De facto, todos os elementos - as linhas e os pontos de intersecção - transmitem uma ideia de confusão, ou até mesmo de profusão, causando uma espécie de distúrbio visual originado pela elevada quantidade de informação. Há também um claro destaque do cadeado perante os outros elementos, quer na forma (simétrica), quer na cor (viva e chamativa). Assim sendo, podemos destacar a antítese, e quase paradoxo, entre o cadeado e outros objetos, aspeto fulcral para a percepção da nossa composição visual. Desta maneira, podemos encontrar vários elementos simbólicos e até mesmo transcendentais na referida imagem: se, por um lado, temos o portão e a corrente , ambos assimétricos e de cores opacas, fracas e tristes, que nos levam a um ambiente antigo, e, de certa forma, macabro, temos, por outro, o cadeado como a "luz no fim do túnel", a solução do mistério e a resposta para as maiores questões humanas. Portanto, o cadeado é toda aquela esperança que existe no coração de todos nós. Afinal de contas, face às peripécias e à dificuldade de viver com o portão fechado, existe sempre, mesmo que muito pequena, a chamada "fé" de encontrar a chave, a chave do cadeado, a chave da verdade, a chave da felicidade. É neste contexto que, agora de acordo com a letra da música, a cidade dá uma razão de viver ao protagonista, pois mesmo sendo triste, solitária e vazia, haverá sempre um espaço misterioso que nos conforta por existir, mas que sabemos que, muitas vezes, nunca vamos descobrir. 

Outro elemento fundamental na análise da imagem é a sombra. Ora, com os mesmos traços da corrente e do cadeado, esta assume-se como um "Doppelgänger" (sósia em português). Esta, sob a nossa interpretação, é o lado negativo da esperança, é o reflexo do desgosto após uma vida de ilusões, sob o mistério que procuramos desvendar em vão. Assim sendo, a sombra assume o papel, agora na área da ficção científica, do "eu" malvado num universo paralelo, o oposto do cadeado em si - daí esta ser totalmente negra, ao contrário dos outros elementos que têm uma cor mais florescente. De facto, foi esta sombra que nos levou a escolher, na composição visual, a imagem sombreada de um Homem, pois este, após várias tentativas, não conseguiu encontrar um significado para a sua vida, sobrando apenas o estado depreciativo da incapacidade e do vazio, reforçado pelo seguinte verso da música: "I gave my life away".

De facto, todos nós temos portões fechados e cadeados nas nossas vidas, todos vivemos num purgatório sem conhecer o céu ou o inferno, apenas o meio termo que não passa de um vazio. Alguns portões sabemos que nunca vamos conseguir abrir, e outros que, com muito esforço, podemos conseguir se encontramos a chave que descodifica todo o seu mistério. Há, portanto, uma "magia" por detrás da existência destes portões. Neste caso, a cidade assume o papel de uma orientadora para o caminho da chave, é uma amiga, uma confidente, faz o protagonista se sentir melhor, embora este acabe por desistir. Curiosamente, ao pesquisar sobre o assunto, encontramos uma frase que se encaixa perfeitamente na nossa interpretação da imagem: "Some things are true whether you believe in them or not". O ser humano tem a falsa noção de que sabe tudo, mas não sabe: o nosso conhecimento é tão vasto quanto uma gota de água na imensidão do oceano, vivemos rodeados de portões e cadeados, desvendamos alguns, mas a grande maioria continua trancada a sete chaves. Mais curioso ainda é realçar que esta frase é proveniente de um filme chamado "City of Angels", expressão que o protagonista da música "Under  the Bridge" (a música de inspiração) utiliza para falar sobre a cidade que o conforta (Los Angeles, também presente na composição), e, acima de tudo, o compreende. Após tanta filosofia, acho fulcral terminar com a máxima de Sócrates: "Só sei que nada sei".

Em suma, quer na imagem, quer na música ou até na vida, estas simbologias existem e persistem em aparecer. Elas estão presentes em cada dificuldade, em cada obstáculo que encontramos, e cabe a nós ultrapassá-los para chegarmos cada vez mais perto da chave do conhecimento e da felicidade que ainda está por descobrir.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Proposta de trabalho 1 - Parte I

Todos os dias os indivíduos estão expostos a um verdadeiro bombardeamento de imagens e apelos visuais produzidos e veiculados pelos media, numa quantidade muito maior do que são capazes de assimilar. A concretização da proposta de trabalho n.º 1 (Figuras 1 e 2) foi, antes de tudo, o esforço criativo de aplicação dos princípios da composição visual de forma a captar a atenção e o interesse do observador.
Fig. 1 - Composição visual, contorno circular.
As imagens, os gráficos e as fontes tipográficas são formados por elementos básicos da composição visual, isto é, o ponto, a linha, a forma, a direcção, o tom, a cor, a textura, a escala, a dimensão e o movimento, organizados dentro de um espaço. Na presente composição visual é possível identificar alguns destes elementos. O ponto, apesar de ser a unidade mais simples, é uma constante neste projecto, com capacidade de criar a ilusão de cor (em função do número e da justaposição) e aumentar a sensação de direcção (em função da proximidade), dando origem a um outro elemento de composição visual – a linha. As principais características da linha são a liberdade e a flexibilidade. Na presente composição, esta é o elemento dominante e aparenta ter um propósito e uma direcção precisos e rigorosos: traça a silhueta do indivíduo imerso na solidão e no desespero e a “prisão espiritual” assumida pela matriz de linhas verticais. A linha forma uma textura, na medida em que ao colocar, nas zonas desejadas, novas linhas entre as linhas, formámos uma figura. A cor assume um papel relevante nesta composição visual pela sua função informativa: a composição a preto e branco marca a afirmação do ponto de vista ou do pensamento do artista – o “não-futuro” vivido pelo protagonista; e o recurso a cores quentes (vermelho, laranja e amarelo) visa transmitir a felicidade deixada para trás. E é neste sentido que surge o elemento visual do movimento que, embora difícil de conseguir nas manifestações visuais estáticas, é sugerido pela figura em andamento do protagonista. O facto de caminhar no sentido oposto da felicidade simboliza a vida que lhe escapa entre os dedos e a incapacidade de agir. Todos estes elementos básicos da composição visual, enquanto linguagem expressiva, estabelecem uma hierarquia de valores e uma sequência lógica de leitura.

O pintor Henri Matisse afirmou que “composição é a arte de coordenar, em função decorativa, os diversos elementos de que dispõe o artista para expressar determinados sentimentos”, ou seja, a composição visual consiste em dispor, no espaço, diversos elementos de forma intencional a fim de provocar o efeito e a leitura desejados. Neste sentido, a concepção do presente projecto segue alguns princípios e regras fundamentais da composição visual.
Fig. 2 - Composição visual, contorno circular.
Ora, a tendência do homem ocidental é iniciar a leitura de uma composição visual um pouco acima e um pouco à esquerda do centro para, de seguida, percorrê-la ou voltar a dar uma vista de olhos mais detalhada. Procurámos aproveitar esta tendência e conduzir o olho do observador à mensagem intencionada. Embora o foco principal de atenção constitua a silhueta humana, o indivíduo, à primeira vista, captará o vazio representado pelo branco, a partir do qual seguirá para a terceira parte da composição, isto é, a felicidade contida nas cores. Assim, a mensagem veiculada por esta leitura será a seguinte: embora nem sempre explícita, a felicidade existe, aniquila tudo o que provoca a solidão e incentiva o desejo de ir à sua procura – saber que outros experimentaram o vazio e partiram em busca  da felicidade é suficiente para abarcar o caminho da libertação.

O presente projecto foi dividido em três partes: a área em branco (símbolo do vazio), a matriz de linhas (indivíduo numa prisão espiritual) e a área de cor (possível felicidade). Contudo, apenas as duas últimas constituem o foco principal da composição, tanto no contorno quadrado, como no contorno circular. Desta forma, a ênfase atribuída a estas áreas com recurso à intensificação da cor serve para criar áreas de “peso” que tem de ser consideradas com especial atenção. No entanto, a distribuição destas áreas varia consoante os contornos. No contorno quadrado, as duas últimas áreas não estão isoladas da primeira – a silhueta traçada aponta, em primeiro lugar, o afastamento da felicidade (área de cor) e o caminhar no sentido do vazio (área em branco). Assim, ao colocar-se no centro da composição, a figura humana mostra ao observador que cada uma das partes pertence ao conjunto (unidade). A regularidade daí resultante assegura a transmissão de uma informação única. Já no contorno circular, a mesma mensagem não é posta em causa: embora a área de cor envolva a composição, a ideia de felicidade distante mantém-se, na medida em que o indivíduo é rodeado de vazio. 

Para além disso, recorremos a outras técnicas de comunicação visual: a actividade que reflecte o movimento, neste caso, a insinuação de movimento, e a sequencialidade, ou seja, organização numa ordem lógica dos elementos da composição (do geral – sociedade – para o particular – um indivíduo dessa sociedade, com vivências e emoções próprias).

A figura humana e a matriz de linhas verticais constituíram os primeiros passos da concretização prática da presente composição visual, elaborada no Illustrator CS5. Assim, depois de colocar a matriz, juntámos linhas entre as linhas nas zonas desejadas até conseguirmos a silhueta humana. No contorno quadrado, o lado esquerdo da composição foi deixado em branco e o lado direito foi preenchido com um degradê de cores quentes. No contorno circular, a matriz foi ajustada ao formato - figura mais pequena, matriz mais larga. De seguida, procedeu-se à criação de uma clipping mask com as dimensões pretendidas. A forma circular foi duplicada e, depois de ajustar o stroke e expandir a aparência, preenchida com um degradê.  

De um modo geral, tais procedimentos práticos e o recurso às técnicas de comunicação visual anteriormente referidas foi essencial para a configuração do conteúdo e elaboração da mensagem.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Mensagem visual

No âmbito da comunicação visual, a mensagem visual (sonora, térmica, dinâmica, etc.), desempenha um papel fundamental na medida em que possibilita a sua concretização. Assim, na posição de emissor, um indivíduo emite mensagens de qualquer natureza e, na posição de receptor, outro indivíduo as recebe. No entanto, a recepção da mensagem pode não ocorrer na sua totalidade, visto que o receptor se encontra sujeito a perturbações visuais do ambiente que alteram ou anulam certas mensagens. Mesmo que evite qualquer deformação durante a emissão, a mensagem,  ao chegar ao receptor, enfrenta outros obstáculos, isto é, filtros típicos de cada receptor através dos quais a mensagem tem de passar para ser recebida. Existem três tipos de filtros: sensorial (mensagens baseadas na linguagem cromática são alteradas se recebidas por um daltónico), operativo (diferentes interpretações consoante as características psicofisiológicas constitutivas do receptor) e cultural (recepção de mensagens que integram o universo cultural do receptor). Por fim, ultrapassada a zona das perturbações e dos filtros, a mensagem atinge uma zona interior do receptor designada emissor do receptor, na qual é emitida uma resposta à mensagem recebida.

No que diz respeito à decomposição da mensagem, esta é constituída por duas componentes: informação transportada pela mensagem e suporte visual. 

O suporte visual corresponde a um conjunto de elementos - textura, forma, estrutura, módulo e movimento -  que tornam visível a mensagem. Para ilustrar melhor, examinemos uma árvore: se observarmos uma árvore, vemos a textura na casca; a forma nas folhas e no conjunto da árvore; a estrutura nas nervuras, nos canais, nas ramificações; o módulo no elemento estrutural típico daquela árvore; a dimensão temporal no ciclo evolutivo. Para melhor aprofundamento destes elementos, consulte a bibliografia abaixo indicada. 

Bibliografia:
Munari, Bruno; Design e Comunicação Visual, Ed. 70, 1991.  

segunda-feira, 12 de março de 2012

Comunicação visual

De acordo com Bruno Munari, artista e designer italiano, comunicação visual é praticamente tudo o que os nossos olhos vêem, isto é, imagens cujo valor varia consoante o contexto em que estão inseridas, transmitindo informações diferentes. Dada a grande diversidade de imagens, é possível distinguir dois tipos de comunicação visual: causal e intencional.

O primeiro tipo - comunicação visual causal - consiste numa mensagem de qualquer tipo livremente interpretada pelo receptor. Já o segundo - comunicação visual intencional - consiste na recepção do significado de uma mensagem na sua totalidade pelo receptor, concretizando assim a intenção do emissor. Exemplo disso é a técnica de emissão de nuvens de fumo dos índios como forma de transmitir uma mensagem precisa através de um código preciso.

Na análise da comunicação visual intencional é necessário ter em conta os seguintes aspectos: a informação estética (mensagem que nos informe, por exemplo, as relações temporais visíveis de transformação de uma forma noutra) e a informação prática (mensagem sem componente estética como, por exemplo, a fotografia do repórter, um sinal de trânsito, etc.). 

Bibliografia:
Munari, Bruno; Design e Comunicação Visual, Ed. 70, 1991.