No âmbito da proposta de trabalho n.º 1, procedemos à recolha fotográfica que serviria de base para
a composição visual final. Sendo assim, tiramos uma série de fotografias,
dentro das quais foram selecionadas aquelas que, em comunhão com a música
escolhida, se enquadrariam melhor no objetivo do nosso trabalho. A nossa
seleção resume-se a 5 imagens:
| Img. 1 - Cadeado |
Esta primeira imagem representa, de forma
bastante explícita, o objetivo da nossa composição. Os traços, os pontos de
equilíbrio, a corrente e o próprio cadeado transmitem uma ideia de prisão que,
neste caso, será interpretada como uma prisão espiritual. Há uma
sobrevalorização dos traços retos sobre os outros que assumem um papel
preponderante na imagem, pois, se por um lado, nos transmitem uma ideia de
simplicidade e retilinearidade, por outro, há complexidade e confusão presente
nos traços da corrente. Existem, certamente, objetos que propiciam uma imagem
de prisão, porém, não só os elementos que aqui encontramos, como os próprios
traços, assumem uma característica de uma simplicidade que não é compreendida
pelo Homem, daí o paradoxo do simples, porém complexo aos olhos dos que não
conseguem enxergar. Não é possível atravessar essa barreira porque ainda não
temos a capacidade para tal, daí, novamente, a noção previamente citada de
"prisão espiritual". De qualquer forma, haverá algo mais profundo, belo
e misterioso do que o desconhecido?
| Img. 2 - Muro |
À semelhança da primeira imagem,
também esta transmite a ideia de um ambiente urbano, neste caso, suburbano. De
facto, os traços retilíneos presentes nesta imagem são ainda mais visíveis e
singulares do que na primeira, visto que existe um padrão, uma forma e uma
sequência que a distinguem da imagem anterior. Esta serve de inspiração por
dois motivos: o primeiro, anteriormente já referido, é o rigor dos traços, a
continuidade das linhas e da métrica; o segundo é a rebeldia do ambiente. Sendo
assim, verificamos uma antítese clara entre o rigor métrico e o "estado de
espírito" do ambiente, o que nos traz uma estranha sensação de certeza
mas, ao mesmo tempo, de dúvida e de desespero.
| Img. 3 - Maçaneta |
Contrariamente à primeira imagem,
esta não representa um rigor métrico acentuado, mas uma certa rebeldia dos
traços na porta e na espiral da maçaneta. A maçaneta velha com teias de aranha
numa porta fechada representa os caminhos não explorados, as realidades não
vistas, as verdades não descobertas e o futuro cada vez mais incerto. É o
símbolo da confusão e do mistério citadino que, se estiver em conjunto com o
cadeado da primeira imagem, ganhará um significado tão misterioso que será
insuportável aos olhos dos mais curiosos. A falta de rigor das imagens da
maçaneta e do cadeado acentuam o desespero de não saber o que existe passa além
da "porta".
| Img. 4 - Bueiro |
O bueiro apresenta a antítese
entre o rigor métrico e os elementos presentes na fotografia, transmitindo uma
sensação de mistério obscuro e pouco desejado. A inspiração musical foi fulcral
para perceber que, neste caso em específico, o bueiro representa a tentativa da
cidade em proteger os cidadãos perdidos, como o protagonista da música. Com o
intuito de evitar uma perda total da esperança das pessoas, a cidade assume,
novamente, um papel de "amiga" ao impedir que estas cheguem no
"fundo do poço".
| Img. 5 - Passeio |
Por último, temos o passeio, cujo
padrão claro e facilmente identificado nos transmite a ideia de volume, ou
seja, da quantidade de pessoas que, assim como o as circunferências, são iguais,
mas vivem de formas diferentes e fazem parte de um todo que abrange muito mais
do que a realidade delas. Esta imagem transmite a sensação de que, por mais que
tentemos, nunca iremos atingir uma individualidade perante o mundo. Afinal,
mais um menos um não faz a diferença, e esse é o climax do dilema humano: será
que a nossa vida tem significado?
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