quarta-feira, 16 de maio de 2012

Info + grafia

“Uma ideia é difícil de explicar apenas com texto e é de grande utilidade fazê-lo mediante uma imagem convenientemente apoiada em breves explicações textuais” (Valero Sancho, 2000).

A palavra infografia teve origem no termo norte-americano infographics (contração dos termos information graphics) e é utilizada para designar a combinação de imagem e texto. Este binómio - imagem (grafia) + texto (info) - remete-nos para a aliança entre as linguagens visual e textual. “A mútua complementaridade entre ambas as linguagens (...) é atualmente óbvia. A linguagem verbal é analítica: divide e compara, em etapas que se sucedem no tempo, e a compreensão surge do estudo das partes e da apreensão dos seus textos (...) A linguagem visual, pelo contrário, é mais sintética (...) O processo de compreensão, aqui, inverte-se: inicia-se em conjunto para logo investigar as partes” (Peltzer, 1991:53-55). Assim, num tempo de tendências gráficas visuais, as infografias ganham lugar de destaque na medida em que a ligação entre dois tipos de linguagens dota a mensagem transmitida de maior rigor e permanência.

A metamorfose dos insectos, ilustrada na obra de Jan Goedart De insectis in methodum redactus (1685), baseada na observação minuciosa de todas as fases da vida destes seres, constitui a forma precoce da infografia. Mais tarde, Maria Sybilla Merian aperfeiçoou o estudo da metamorfose com a descrição completa do ciclo de vida das borboletas. A presente infografia (Fig. 1) de Maria Sybilla Merian é uma obra de arte pelo facto de as múltiplas imagens nela contidas mostrarem o mesmo insecto em diferentes fases do seu ciclo de vida e a planta que lhe serve de habitat natural e de alimento.
Fig. 1 - Infografia de Maria Sybilla Merion.
Como podemos ver, a génese da infografia reside no progresso científico, determinante para o desvendamento da dinâmica dos processos naturais e sociais. E assim, à medida que o volume de dados aumenta, novas formas de visualização surgem.

Atualmente, a infografia é uma das ferramentas mais úteis do jornalismo moderno. De acordo com Carlos Abreu Sojo, a infografia é um género jornalístico: apresenta uma estrutura composta por título, texto, corpo, fonte e crédito; tem uma finalidade - informar; possui marcas formais que se repetem em diferentes trabalhos; por fim, tem sentido por si mesma.

A infografia assume-se como um novo género jornalístico formado pela combinação estética de elementos gráficos e textuais que resultam numa mensagem simples, resumida, clara e eficaz.
Enquanto género jornalístico, as infografias podem ser individuais (compostas por elementos básicos, tratam de um único assunto) ou coletivas (combinam mais de uma infografia individual para construir diferentes facetas de uma informação). Ambos os tipos podem ser subdivididos em classes:
  • comparativas (comparam dados);
  • documentais (explicam as características, a ilustração e a documentação de acontecimentos, ações ou coisas);
  • cénicas (reproduzem determinado local e ação);
  • de localização (situam as informações no espaço).
De modo geral, “elas dão a conhecer pormenores que as fotografias não captam e explicam fenómenos que a palavra escrita nem sempre consegue fazer passar” (Ribeiro, 2008).

Referências bibliográficas:
Valero Sancho, José Luis (2000) “La infografia de prensa”, in  http://www.ull.es./publicaciones/latina/aa2000qjn/99valero.htm
Peltzer, Gonzalo, 1991. Periodismo Iconográfico. Madrid: Ediciones Rialp.
Abreu Sojo, Carlos (2002) “Periodismo Iconográfico - Es la infografía un género periodístico?”, in http://www.ull.es./publicaciones/latina/2002abreujunio5101.htm
Ribeiro, Susana Almeida, 2008. Infografia de Imprensa. História e análise ibérica comparada. Coimbra: Edições MinervaCoimbra. 

Sem comentários:

Enviar um comentário