A palavra infografia
teve origem no termo norte-americano infographics
(contração dos termos information
graphics) e é utilizada para designar a combinação de imagem e texto. Este
binómio - imagem (grafia) + texto (info) - remete-nos para a aliança entre as
linguagens visual e textual. “A mútua complementaridade entre ambas as
linguagens (...) é atualmente óbvia. A linguagem verbal é analítica: divide e
compara, em etapas que se sucedem no tempo, e a compreensão surge do estudo das
partes e da apreensão dos seus textos (...) A linguagem visual, pelo contrário,
é mais sintética (...) O processo de compreensão, aqui, inverte-se: inicia-se
em conjunto para logo investigar as partes” (Peltzer, 1991:53-55). Assim, num
tempo de tendências gráficas visuais, as infografias ganham lugar de destaque
na medida em que a ligação entre dois tipos de linguagens dota a mensagem
transmitida de maior rigor e permanência.
A metamorfose dos insectos, ilustrada na obra de Jan Goedart
De insectis in methodum redactus
(1685), baseada na observação minuciosa de todas as fases da vida destes seres,
constitui a forma precoce da infografia. Mais tarde, Maria Sybilla Merian
aperfeiçoou o estudo da metamorfose com a descrição completa do ciclo de vida
das borboletas. A presente infografia (Fig. 1) de Maria Sybilla Merian é uma
obra de arte pelo facto de as múltiplas imagens nela contidas mostrarem o mesmo
insecto em diferentes fases do seu ciclo de vida e a planta que lhe serve de
habitat natural e de alimento.
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| Fig. 1 - Infografia de Maria Sybilla Merion. |
Como podemos ver, a génese da infografia reside no progresso
científico, determinante para o desvendamento da dinâmica dos processos
naturais e sociais. E assim, à medida que o volume de dados aumenta, novas
formas de visualização surgem.
Atualmente, a infografia é uma das ferramentas mais úteis do
jornalismo moderno. De acordo com Carlos Abreu Sojo, a infografia é um género
jornalístico: apresenta uma estrutura composta por título, texto, corpo, fonte
e crédito; tem uma finalidade - informar; possui marcas formais que se repetem
em diferentes trabalhos; por fim, tem sentido por si mesma.
A infografia assume-se como um novo género jornalístico
formado pela combinação estética de elementos gráficos e textuais que resultam
numa mensagem simples, resumida, clara e eficaz.
Enquanto género jornalístico, as infografias podem ser individuais (compostas por elementos
básicos, tratam de um único assunto) ou coletivas
(combinam mais de uma infografia individual para construir diferentes facetas
de uma informação). Ambos os tipos podem ser subdivididos em classes:
- comparativas (comparam dados);
- documentais (explicam as características, a ilustração e a documentação de acontecimentos, ações ou coisas);
- cénicas (reproduzem determinado local e ação);
- de localização (situam as informações no espaço).
Referências bibliográficas:
Valero Sancho, José Luis
(2000) “La infografia de prensa”, in http://www.ull.es./publicaciones/latina/aa2000qjn/99valero.htm
Peltzer, Gonzalo, 1991. Periodismo
Iconográfico. Madrid: Ediciones Rialp.
Abreu Sojo, Carlos (2002) “Periodismo Iconográfico - Es la infografía un
género periodístico?”, in http://www.ull.es./publicaciones/latina/2002abreujunio5101.htm
Ribeiro, Susana Almeida, 2008. Infografia
de Imprensa. História e análise ibérica comparada. Coimbra: Edições
MinervaCoimbra.

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