Como já foi dito numa das publicações anteriores, a palavra infografia provém do termo
norte-americano infographics que, por
sua vez, é uma redução da expressão information
graphics. “A informação gráfica apareceu na imprensa praticamente com os
primeiros jornais” (Peltzer, 1992:75), mas a sua disseminação só se popularizou
a partir de 1980. Constituindo representações gráficas visuais, o recurso às
infografias visa reproduzir relações entre as ideias e ajudar a construir
narrativas. Assim, a fusão do verbal ao visual dota a comunicação de maior
precisão e dinamismo num “período de recessão de leitura e perda de leitores
para outros meios” (De Pablos, 1999:30). No entanto, tal não implica facilitar
a leitura: as infografias compreendem “elementos verbais, representações
quantitativas, possibilidades comparativas e diversos tipos de dados que geram
análises e conclusões” (Silveira, 2010). Desta forma, a infografia é uma
“ferramenta de amplificação da cognição e da memória” (Cairo, 2008:34), um
processo de visualização da informação recorrente na imprensa.
No Brasil, a revista Superinteressante
desempenha um papel fundamental no desenvolvimento e na difusão das
infografias. A infografia selecionada foi A
história da Terra (fig. 1), publicada em setembro de 2002, retirada da
edição especial da revista brasileira - As
20 Melhores Matérias da História da Super. Esta infografia foi distinguida
com o Prémio Abril de Jornalismo na categoria Infografia.
A presente infografia, da autoria de Luís Iria (ilustração),
Rodrigo Maroja (edição de arte) e Denis Burgierman (texto), retrata a evolução do planeta Terra desde a sua
origem até ao surgimento dos seres humanos.
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| Fig. 1 - A história da Terra, revista Superinteressante (2002). |
Após a primeira leitura, verificamos que o conteúdo
informativo segue uma linha de tempo (o que aponta, desde o início, para o
processo evolutivo do planeta) e está distribuído de forma a sugerir diferentes
direções de leitura: leitura narrativa da linha temporal, por um lado, e
leitura sequencial da numeração do texto, por outro. Os elementos textuais
fazem-se acompanhar por elementos gráficos que transmitem as características
das diferentes fases de evolução do planeta e facilitam a compreensão do
assunto em causa.
Os elementos presentes nesta infografia seguem uma
distribuição hierárquica em camadas. O título - A história da Terra -, a primeira camada, representa o início da
leitura. De seguida, a representação de duas fases do globo terrestre serve
para introduzir e narrar as fases iniciais do planeta. O restante conteúdo
informativo é configurado de modo a incorporar a forma da estrutura da Terra,
dividida em cinco camadas: a primeira camada corresponde às informações
pictóricas; a segunda aos títulos de uma tabela tradicional, com as datas
seguidas por textos, reunidos na terceira camada; a quarta camada indica as
eras geológicas, diferenciadas por cores e a última compreende imagens de
globos terrestres. Assim, estão reunidos nesta infografia três modos de
representação - verbal numérico (texto), pictórico (imagens) e esquemático (código
de cor) -, refletindo a exploração das possibilidades da linguagem gráfica.
Tratando-se de uma história com mais de 3 biliões de anos
para contar, a infografia em análise assume a forma de narrativa, com um início
(explosão que originou o planeta), meio (formação geológica e biológica da
Terra) e fim (surgimento dos seres humanos), lida da esquerda para a direita.
Ou seja, o emissor procurou adaptar a infografia ao modo de leitura ocidental e
dotá-la de um carácter narrativo para estreitar relações com o leitor.
É importante referir ainda que as fases evolutivas do
planeta Terra estão delimitadas por uma linha branca (linhas de coordenadas
meridionais) que contrasta com a cor azul do planeta no fundo de modo a
alcançar maior precisão na leitura.
A localização no espaço e no tempo dos fenómenos geológicos,
dos animais e das plantas e a verosimilhança das imagens são uma preocupação
constante nesta infografia. No entanto, a representação dos animais não segue
uma clara relação de escala, precisão biológica, o que reforça o objetivo da
infografia - exemplificar genericamente a variedade de vida em diferentes fases
geológicas do planeta, culminando com o surgimento do ser humano. Como podemos
ver, o carácter narrativo da história do planeta predomina sobre os aspetos
descritivos, captando o interesse do leitor.
Esta infografia é um bom exemplo de infografia de imprensa
na medida em que evita a “moral da história” e clarifica as relações entre os
dados para que o leitor encontre as suas próprias conclusões.
Referências bibliográficas:
Cairo, Alberto, 2008. Infografia 2.0. Visualización
interactiva de información en prensa. Madrid: Alamut.
De Pablos, José Manuel, 1999. Infoperiodismo. El Periodista
como Creador de Infografia. Madrid: Editorial Síntesis.
Peltzer, Gonzalo, 1992. Jornalismo iconográfico. Lisboa:
Planeta Editora.
Silveira, Luciana Hiromi Yamada da (2010) “Modelo de caracterização
de infográficos: uma proposta para análise e aplicação jornalística”, in http://infografia.lhys.org/wp-content/uploads/lhys_mestrado.pdf

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